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ABRALE - Crie o seu Blog


Braços abertos ...


 

        Nestes dias frios sabemos como nos aquecer. Uma boa sugestão é um banho quente, chá quente, roupa quente ...  Mas isso basta? É suficiente? E como nos aquecemos do frio interior? Da carência dos afetos? Do vazio?

            Percebo no dia a dia como as pessoas estão cada vez mais fechadas em seu mundo particular.

          É muito bom e prático ter internet no celular, otimizar o tempo com a invasão dos tablets e uma infinidade tecnológica à nossa disposição. As pessoas apertam botões e se esquecem de apertar mãos. Ficam hipnotizadas e focadas nas telas coloridas e sensíveis ao toque e não se olham mais. Não conversam mais. Sinto falta da interação humana.

           Muitas vezes mergulhamos no mundo virtual para nos distanciarmos de tomadas de decisões, relações e dores de um mundo real. Porém, não tem como viver sem viver. Aprendemos o tempo todo e as emoções fazem parte da nossa evolução pessoal e profissional.

            Um olhar afetuoso, um sorriso sincero, um abraço apertado, ouvir e ser ouvido ... isso faz nos sentir vivos e aquece o corpo e a alma. É magia. É poesia do viver.

            A enfermidade do corpo ou da mente aumenta a nossa necessidade do "Outro". De um contato de uma pessoa para outra pessoa.

          Lidar com pessoas permite uma troca inegualável de experiências. Cada pessoa é única e ao profissional da saúde cabe descobrir como tocar aquela alma, aquele ser. Cabe à ele descobrir como cuidar de suas dores e aflições.

            Para lidar com pessoas é necessário bastante flexibilidade decorrente das demandas variadas e principalmente amor. Esse é o melhor remédio ministrado em todas as estações do ano e em doses infinitas. O amor torna a vida mais fácil de ser vivida e ajuda a suportar as dores humanas.

           Sou uma eterna apaixonada por minha profissão de psicóloga e me comovo com os relatos que diariamente são confiados a mim como representante da Abrale. São tesouros preciosos de vidas. Sinto que sou privilegiada por estar no lugar certo e no momento que necessitam de uma escuta diferenciada, um acolhimento, um suporte ... Seja na internação, na quimioterapia, na sala de espera de um hospital ... Adoro gente. Fico comovida com a lembrança dos pacientes e familiares a cada reencontro. É tão bom sentir esse carinho imenso. É tão bom abraçar ...

          Concordo com Martha Medeiros ao postular que "tudo que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve". O abraço é uma troca de energia e faz bem para ambas as partes.

         O dia do abraço é 22 de maio. Porém, distribua-o ao máximo. Aquece a alma. Percebo nos hospitais que visito como um "bom dia" dito de coração torna realmente o dia melhor, principalmente para o paciente que está em tratamento e os familiares que querem ajudar e muitas vezes não sabem como. Sofrem tanto ou mais que o paciente. 


        Não deixe pendências. Não deixe para amanhã o seu "bom dia" para alguém. Não deixe para amanhã o tempo de escutar. Não deixe para amanhã o amar. Não deixe para amanhã o seu sorriso. Não deixe para amanhã o seu olhar. Não deixe para amanhã os seus braços abertos para deixar vir o que a vida tem para você. Não deixe para amanhã o seu abraço ...

                        

Abraço 2 - Releitura de Romero Britto

 

 




Escrito por sara às 12h26
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Poesia

 

Sorriso       Tive a honra e a alegria de receber na associação a visita do professor e poeta Marcelo Pereira. Brindou a ABRALE com seu livro intitulado: "(Sobre)vivência - vida sem poesia e fotografia vira monotonia". 

           Ficamos sensibilizados com a visita, o livro e a dedicatória sensível. Lindos e valiosos presentes, sem dúvida.

           Nosso MUITO OBRIGADA.

 

 

           Uma das poesias publicadas no livro é:

 

 

           SONHO

          Se sonho,

          me apaixono.

          Essa multidão que me habita

          grita por esse desejo.

          Desejo que inunda os sentidos.

          Medi-lo não sei.

Decifrá-lo menos ainda.

          Tinha quase me esquecido

          do tempo da paixão.

          Se sonho,

          desejo.

          Se sonho,

          eu sou.  

           (Marcelo Pereira)

      

          Obrigada Marcelo por tornar a nossa vida mais bela com a sua poesia.

          O livro é fantástico e as fotografias são espetaculares.

RECOMENDO

 

 

 Informações no link: http://www.scortecci.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=7686&friurl=:-SOBREVIVENCIA--Marcelo-Pereira-:

 

          

 

          



Escrito por sara às 12h11
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       Jóia     BANCO DE PERUCAS. Iniciativa maravilhosa.

            Cuidar da autoestima faz bem para o corpo e para a alma. 

 

 

 



Escrito por sara às 11h34
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O AMOR VERDADEIRO EXISTE

        Sempre acreditei de maneira muito forte, muito intensa que o AMOR é a força que nos move no mundo. Se faz presente em suas mais diversas manifestações, em cada gesto e em cada olhar. 

            Outro dia em um evento de psicanálise, ouvi o palestrante recitar um trecho de um poema que conta a história de um garotinho que viajava de trem com seu pai. Em determinado momento da viagem, o garotinho olha pela janela do trem e questiona em voz alta: "Pai, para onde vão essas montanhas que passam tão rápido e vão ficando para trás? E essas árvores ...?". 

            Os outros passageiros debocharam do garoto por acharem a pergunta ridícula demais. Um poeta, também passageiro, levantou-se e frisou: "Engano de vocês. O garoto está com a razão. Não são eles que passam. Nós é quem passamos". 

            

             Muito sábio este ensinamento, pois da vida só levamos a vida que a gente leva.

            As montanhas, as árvores ... permanecem e nós nesta viagem da vida levamos na bagagem somente o AMOR VERDADEIRO.

            É muito triste e infelizmente muito comum quando nos deparamos no cotidiano com pessoas que "trocam" de "amor" como quem trocam de camiseta, na primeira dificuldade. São pessoas que se agarram a cipós muito frágeis, como disse certa vez um velho amigo e querido colega.

            O AMOR VERDADEIRO une, protege e cuida.

            São raras as pessoas que amam as pessoas ao invés dos objetos materiais.

            São preciosas as pessoas que sabem amar.

            O amor não precisa de "cenário perfeito" para acontecer, precisa somente de "amor".

            Esse meu texto foi inspirado pela narrativa de um paciente chamado André. Nos conhecemos na sala de quimioterapia. Compartilhou comigo sua história de vida. Emocionou-me quando me contou que recebeu o diagnóstico de leucemia apenas vinte dias antes do casamento. Conversou francamente com a noiva e a deixou livre para desistir de tudo se assim desejasse.

            O AMOR VERDADEIRO deixa o outro livre como um pássaro para voar na direção do desejo. Esta foi a primeira manifestação desse AMOR VERDADEIRO. A segunda foi quando ela disse que ficariam juntos, lutando um ao lado do outro, na saúde e na doença.

            Os dois se casaram na capela do hospital.

            Indico e recomendo o blog na qual André conta sua história de amor e a forma como lida com a doença e o tratamento.

            O blog do André é: www.andrekrasoviclma.blogspot.com

            Concordo com você André, quando postou no dia 13/01/12 o que segue: "O ditado diz: Toda rosa tem espinho, mas eu prefiro pensar diferente, todo espinho tem uma rosa". (André Krasovic).

            É fácil demonstrar amor no momento da festa, quando está tudo bem. Porém, neste e em muitos casos, é na dor a maior manifestação de amor. 

            Parabéns por terem encontrado um ao outro e por terem feito sorrir seus corações ... Por dividirem as alegrias e as tristezas da caminhada.  Muitas felicidades !!!

            Que a vida de vocês seja repleta de realizações e momentos inesquecíveis. 



Escrito por sara às 20h04
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       Jóia       A sede da Abrale recebeu no dia 09/03/12 um ilustre visitante.

                 Quem não se lembra da propaganda da Bombril e a marcante atuação de Carlos Moreno na televião? Gostinho de infância.

                 Muito simpático e atencioso. Momento especial registrado em foto.



Escrito por sara às 19h16
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Celebração

Sorriso       CELEBRAR a vida é uma sabedoria que poucos notam na correria do cotidiano. Não há tempo para nada.

           CELEBRAR não deveria ser restrito somente à festas de final de ano, datas especiais ou grandes acontecimentos.

           No meu trabalho junto a pacientes da onco-hematologia e nas visitas a hospitais, vejo o verdadeiro significado de comemorar. 

          Já parou para pensar que muitos pacientes em determinados momentos de graves cirurgias ou fase do tratamento, são submetidos à sérias restrições alimentares?

           E o que direi da água? No nosso dia a dia é algo que passa absolutamente desapercebido. Bebemos para matar a sede em um movimento automático, quase sem sentir. Nunca esqueço o quanto foi para mim prazeiroso ver um paciente beber água, após só molhar os lábios rachados e ressecados com algodão umedecido durante meses. Quanta alegria estampada nos nossos rostos em um momento eterno. Minha boca até salivou e a água para mim nunca foi tão saborosa. A partir daí, verdadeiro néctar dos deuses da mitologia. Quanta emoção.

          

           Tudo nesta vida é motivo de CELEBRAR.

           Um exame médico, uma alta, uma visita, um olhar, um gesto de carinho... Hummm e como é bom amar e ser amado. Como faz bem para nós e quem está a nosso redor valorizar cada encontro como se fosse o único e último.

           Estamos nesta vida para sermos felizes.

           Reuna as pessoas que ama e erga um brinde à vida. Diga o quanto as ama e são importantes para você.

          Renove as esperanças. Caminhar com quem ama ajuda a diminuir o peso e o cansaço da subida.

                 

Um NATAL e um ANO NOVO repleto de amor, alegrias e muita celebração.

TIN-TIN   

         PS.: No final da página, clique em [ ver mensagens anteriores ] para acessar as publicações mais antigas. A primeira postagem é de 30/11/2008. 

Agradeço de coração os acessos e os comentários Jóia



Escrito por sara às 16h24
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    Realizando sonhos

 

 

Ficando velho        A ABRALE, em parceria com a Make a Wish, realizará os desejos de crianças e adolescentes, de 3 a 17 anos, em tratamento de doenças onco-hematológicas.

           Para participar, basta entrar em contato conosco no 0800 773 9973 ou pelo abrale@abrale.org.br e fazer o seu cadastro!

 

           * Os pedidos serão realizados de acordo com os critérios e demandas da Make a Wish, que tem por missão realizar desejos de crianças ameaçadas por doenças graves.

 

               Para conhecer mais sobre a Make a Wish acesse: www.makeawishbrasil.com.br

 

  

               Para uma criança gravemente doente, ter um desejo realizado significa que nada é impossível. Significa recuperar a esperança e a força para continuar a lutar, esquecer tudo por um momento e ser, apenas, criança. (site da Make a Wish)

 



Escrito por sara às 11h09
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Singela homenagem

        José Alencar, vice-presidente da república, conquistou o país ao deixar como legado o exemplo de luta contra o câncer. Faz pensar na figura do herói, que antes de atravessar o campo de batalha para conquistar o castelo, se prepara com a armadura mais forte que possui, suas armas fiéis em punho e sua fé. É herói justamente por saber que pode morrer nesta guerra travada, mas mesmo assim, não desiste de lutar. 

            Sempre frisou que a "vida é luta" para todo mundo e que o sofrimento é "enriquecedor". 

            O que mais me chamou a atenção, em tantas idas e vindas ao hospital, após tantas cirurgias, tantas dores ... é sem dúvida o sorriso contagiante e o olhar doce deste ser iluminado.  

            José Alencar sempre enfatizou que a informação sobre a doença e o tratamento proporcionava tranquilidade, pois dá forças para lutar. Coerente com esse pensamento, sempre se preocupou em informar ao público a cada nova tentativa dos médicos para amenizar os sintomas na tentativa de cura.  

            O repórter em uma entrevista transmitida em uma dada emissora televisiva, pergunta se o tratamento trouxe algum tipo de reflexão. José Alencar com serenidade e muito sorridente, responde que a doença ensinou a ser humilde, especialmente depois da colostomia. Salienta que a humildade se desenvolve naturalmente no sofrimento. E que, sua realidade teve que ser adaptada por depender de cuidados de outras pessoas para executar tarefas básicas do cotidiano.             

            Nesta mesma entrevista, José Alencar conta que quando era menino, tinha uma professora que repetia a seguinte oração: "Livrai-nos da morte repentina". O repórter intrigado solicita explicações. José Alencar responde que a morte consciente é melhor do que a repentina, pois nos dá a oportunidade de refletir. 

            José Alencar verbaliza na entrevista sentir-se preparado para a morte como nunca esteve, pois tornou-se uma pessoa melhor. Mas que isso não significa que havia desistido de lutar, apesar do cansaço físico. Ressalta que vive dia após dia de forma plena, até porque nem o melhor médico do mundo é capaz de prever o dia da morte de seu paciente. Isso cabe a Deus, exclusivamente.

            José Alencar foi generoso ao nos brindar com essas reflexões tão significativas. Em suas frases de efeito, destaco: "Não tenho medo da morte, mas da desonra".

           Ainda na entrevista, o repórter questiona o que ele faria primeiro se caso recebesse a notícia de cura. Com grande sabedoria, responde: "Abraçaria minha esposa, Mariza e diria: Muito obrigado por ter cuidado tão bem de mim".

           Palavras como essas de intenso sentimento são abraços fraternos, aquecem a alma, são acolhedores, aconchegantes e revigorantes.

           Muito Obrigada à você, José Alencar, por ter nos ensinado o inestimável VALOR dos momentos e o precioso VALOR das pessoas.



Escrito por sara às 21h25
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Jóia        Cuidar da criança interior faz bem para o corpo e para a alma - é sinal de SAÚDE
           Brincar, amar e sorrir é o melhor remédio em qualquer idade. É aprendizado constante. Faz toda a diferença na vida e no viver.

            PARABÉNS pelo trabalho e pela iniciativa da BRINQUEDOTECA BRINQUEDO & CIA.

            Conheço e Recomendo.

Acesse o site: http://bbrinquedoecia.blogspot.com/

 



Escrito por sara às 10h48
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Um brinde à ESPERANÇA.

Feliz 2011 !!!



Escrito por sara às 11h24
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HISTÓRIAS

 

 

        Na sala de espera do ambulatório, sentei ao lado de uma senhora que há muito tempo não encontrava. Ela aguardava o esposo em mais uma sessão de quimioterapia para o tratamento de uma leucemia. 

            Seu olhar era meigo, sorriso cativante de criança e voz suave. Suas mãos eram agéis e firmes. Com extrema agilidade entrelaçava contas brancas e rosas em uma linha expessa enquanto conversávamos. 

            Me contou que o marido não gosta de vir ao hospital sozinho, pois sente medo e dor. Mas quando ela está junto, as horas passam rápido, ele não sente tanto os efeitos colaterais da medicação e não sente tanto as picadas. São casados há mais de trinta anos e tem três filhos já criados, na qual se orgulham muito. 

            Salienta que estão juntos não só por uma obrigação, pelo dever do casamento, mas por um querer estar junto, cuidar um do outro. Comento que é fácil estar junto na hora da festa, mas é preciso coragem e amor para estar junto nos momentos difíceis. 

            A bela senhora, com sua sabedoria de oriental, destaca: "É preciso ter paciência. Essas pérolas sozinhas são somente pérolas soltas. Mas juntas, formam uma imagem. É sua, de presente". 

            

            Fiquei muito emocionada com a fala e a doçura do gesto. Que presente lindo e significativo carregado de representações e afeto compartilhado. Ganhei mais que uma linda flor, mas a riqueza de olhares, sorrisos e mais uma lição inesquecível de vida. Já nos ensinou Sigmund Freud, o pai da psicanálise, que "precisamos amar para não adoecer".

             Como é fácil fazer alguém feliz. Como é gostoso multiplicar e espalhar o amor aos quatro cantos do mundo. Como é rico aproveitar momentos como este e se beneficiar com toda esta ternura. Está em nossas mãos. 

             

            

  AME AGORA, NÃO ESPERE O AMANHÃ. 

 "Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada" (Sigmund Freud)



Escrito por sara às 12h11
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DIVÃ-MÓVEL: AO ENCONTRO DO CÂNCER

Sara Costa Andreozzi

(Trechos selecionados do artigo apresentado no VI Encontro da Teoria dos Campos realizado no dia 08/08/10 na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo).

 

 

"Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar". (Clarice Lispector)

 

   

 

            Em São Paulo represento à ABRALE (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia) na qual visito hospitais e casas de apoio. O departamento é nomeado por Abrale-móvel, o que me faz pensar na ideia de Divã-móvel e no conceito de clínica extensa.

           Acredito que quando se lida com pessoas, principalmente durante o tratamento de doenças onco-hematológicas, a escuta e a fala são essencialmente valiosas pela história de vida de cada um. Neste momento, fala a analista que atua onde sua presença se faz necessária, seja na sala de espera de um ambulatório, na brinquedoteca, numa sala de quimioterapia e até mesmo no blog (www.sarapsi.zip.net) especialmente elaborado para promover um espaço de reflexão aos pacientes, familiares e profissionais de saúde.

            O psicanalista brasileiro Fabio Herrmann, de modo poético e sensível nos ensina o quanto é rico o analista se fazer presente não somente no consultório, atuação esta nomeada por clínica extensa, e como resposta há o ganho de possibilidades outras, sendo um dos requisitos, ouvir o paciente com o coração.

            A Teoria dos Campos criada por Fabio Herrmann propõe reflexões sobre o inconsciente pela utilização do método interpretativo de investigação e cura das manifestações psíquicas. Assim, é possível pensar novas possibilidades de atuação do psicanalista no consultório ou fora dele, como por exemplo no hospital, na cultura, nas artes etc., recuperar o que foi esquecido pelo tempo. (Barone, 2005). 

            Fabio Herrmann em seu texto introdutório sobre a clínica extensa, resgata a ideia proveniente da criação da psicanálise ao relembrar que Freud voltou seu olhar clínico e seu interesse para o mundo. Esta é a definição de clínica extensa. (Barone, 2005). 

            Em toda e qualquer dimensão que a psicanálise esteja, um campo pode romper-se abrindo um leque de inúmeras possibilidades de existir, eis a função terapêutica da clínica extensa. (Barone, 2005).

           A escuta do analista e o “diálogo desencontrado, equivocado, em que, na aparência, os temas não se cruzam”, é o espaço para o surgimento de sentidos outros, novos, promovidos pela interpretação. (Barone, 2005 p. 35). 

           O objetivo do encontro terapêutico e papel do analista é trazer à baila conteúdos inconscientes anteriormente desconhecidos pelo analisando, eventos estes originados de experiências passadas que exercem grande influência nas relações interpessoais atuais. (Aldolfi, 1996). Isso se dá pela aplicação do método psicanalítico, a cada interpretação ou toques interpretativos. 

            Toda dor é real para quem sente. Não existe separação entre corpo e alma para o inconsciente. 

           Creio que neste jogo transferencial, a clínica psicanalítica se faz presente pela fala e as associações livres carregadas de representações que, indiscutivelmente nos insere num mundo de possibilidades altamente significativas, tanto para o paciente quanto para o analista. 

          Fabio Herrmamm nos ensina que a clínica extensa tem uma função terapêutica marcada pela transferência maciça, base das relações. 

          Sem dúvida alguma, o contato humano em todas as suas dimensões, repletos de momentos ricos de aprendizado e afeto compartilhado, faz a diferença entre o viver e o morrer.

         Como observa Frayse, o analista deve permitir aflorar a poética desconhecida de cada paciente, o que torna o trabalho artístico e criativo pois “cada paciente é uma singularidade a ser acolhida” e cada momento é único. (Monzani & Monzani, 2008 p.291). 

         É da habilidade e criatividade do analista propiciar o surgimento do conteúdo analítico de cada sessão e utilizar essa intensidade de forças como motor de uma análise ou função terapêutica em benefício do paciente. Aprendemos muito nestas trocas e com cada vivência. Nesse sentido, mesmo com vasta experiência clínica, por tudo que nos é mobilizado no encontro terapêutico, somos eternos “principiantes”.

ADOLFI, M., A linguagem do encontro terapêutico. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. (Tradução de Rosana Severino Do Leone).           

HERRMANN, F. Clínica extensa. In: Barone, L. (org.) A psicanálise e a clínica extensa – III Encontro Psicanalítico da Teoria dos Campos por escrito. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005.

MONZANI, J. & MONZANI, L. R. (orgs). Olhar: Fabio Herrmann – Uma vigem Psicanalítica. São Paulo: Pedro e João Editores / CECH- UFSCar, 2008.

 

 

   

 

Na correria Mais informações sobre a Teoria dos Campos, acesse o site http://www.revistavortice.com.br/

 



Escrito por sara às 11h15
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... o tempo ideal é aquele suficientemente grande para deixarmos o nosso recado! (Revista da Abrale Edição Março/Abril/Maio)

 

Participe e deixe seu recado registrado em imagens de AMOR.



Escrito por sara às 13h58
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 HISTÓRIAS

 

 

 

        Além de hospitais, meu trabalho me presenteia com a visita em casas de apoio. É possível notar em cada gesto dos funcionários e moradores o esforço conjunto para que seja um lar provisório, na qual vínculos de amizade são criados numa cumpricidade sem igual. 

            Os pacientes aguardam o transplante de medula óssea e o familiar, geralmente o doador, compartilha atividades artesanais e confraternizações.

            Tenho a feliz oportunidade de viajar pelo país sem sair de São Paulo, ao ouvir as histórias contadas em diferentes sotaques regionais. 

            Como viajante, carrego na bagagem dos sentimentos as sensações e reflexões inspiradas pelos ensinamentos e trocas singulares que certamente dão sentido ao viver. 

            Na confortável sala de estar da casa, foi confiada a mim a difícil trajetória narrada em detalhes de dois pacientes, que tiveram que firmar uma verdadeira batalha desde o diagnóstico da doença até o início do tratamento. São moradores de estados diferentes, porém encontraram semelhanças em suas vivências pessoais.

             Destacaram que nunca ouviram falar no que era mieloma múltiplo e linfoma, a primeira coisa que pensaram, fruto do desespero inicial foi a finitude. Com a informação e suporte médico foram encaminhados para o tratamento em São Paulo.

             Com muito bom humor, um deles destaca que a biópsia é bastante dolorosa, mas que a mão do profissional que executa o exame faz toda a diferença. Conta que na primeira vez, o "homem de jaleco branco" nem olhou para ele e disse com agressividade: "deita aí". Ressalta que nunca sentiu tanta dor na vida. Meses após a quimioterapia foi necessário repetir o exame. E que somente a lembrança desagradável dessa expeiência foi extremamente forte e aterrorizante ao ponto de desejar desistir de todo o tratamento. Porém, conseguiu reunir forças para lutar pela vida e enfrentar esse terrível desafio.  

             O outro paciente ao ser também contemplado com esta rica vivência, contribuiu com a seguinte história: "Vocês conhecem o que aconteceu com o médico particular do Vinícius de Moraes?". Respondemos que não e prontamente verbaliza: "Não sei se é verdade, mas li uma vez numa revista que o Vinícius de Moraes estava fazendo uma festa em casa, rodeado de amigos, cigarros, mulheres e muita bebida. Aí ele ligou para o médico e disse: "Vem logo pra cá que eu estou passando mal, estou morrendo". O médico então saiu a mil por hora, até estragou o portão da garagem de casa, quando chegou viu aquela festa toda e perguntou assustado para o paciente o que estava acontecendo. Vinícius respondeu que estava tão, mas tão feliz que ficou com medo que a alegria acabasse, assim, se passesse mal, já garantiria socorro médico de imediato. Então, disse a famosa frase: "VIVER É PERIGOSO". 

            Questionei se concordavam com a frase em questão. Após muitas risadas, chegamos juntos à conclusão que é mais perigoso deixar de viver e experenciar momentos ricos de aprendizado e afeto compartilhado. E que sem dúvida alguma, o contato humano em todas as dimensões, faz a diferença entre o viver e o morrer.

             

            Todo contato humano nos posiciona no campo da transferência, na qual sentimentos, pensamentos e sensações são destinados à outros. É do humano para o humano. É como sentir a batida da bateria de uma escola de samba como se estivesse vindo do seu coração, de seus pulmões. É forte e intenso como o riso e o choro no cinema.

            NUNCA É TARDE PARA (RE)COMEÇAR.

 

 "Toda demanda é uma demanda de amor" (Jacques Lacan)



Escrito por sara às 13h48
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HISTÓRIAS

 

 

        Na sala de espera do hospital, sentou-se a meu lado uma velha conhecida, jovem paciente que perguntou: "Oi, tudo bem? Como anda o trabalho?" Respondi que bem, uma conquista diária como tudo na vida.

            Falamos sobre o barulho e a intensidade da chuva que serpenteava nos vidros das janelas.

            Foi a minha vez de perguntar como ela estava. Respondeu que estava bem. Comenta que veio ao hospital para tomar mais um "sanguinho" para variar.

            Com uma expressão de angústa nos olhos, ajeitou-se na cadeira para melhor se acomodar. Indaguei: "O que houve?" Tão intensa quanto a chuva, salienta que aprendeu a conviver com a doença, mesmo sem aceitá-la.

            Conta que a prima recebeu um convite para passear no parque Ibirapuera com os filhos pequenos, mas  recusou, pois queria limpar a casa. Ao ouvir isso, verbaliza que não conseguiu resistir e interferiu: "Não faça isso! Eu nunca tive tempo para nada, nunca tive tempo para mim e agora com a doença tenho todo o tempo do mundo e estou impossibilitada por tempo indeterminado de sair por causa da baixa imunidade. Não faça isso com você, largue tudo aí e vá passear com as crianças".

             A paciente trata de aplasia medular e ressaltou que aprendeu a ter tempo para ela, sente quando o organismo necessita receber plaquetas ou transfusão de sangue. Sente-se sábia, pois antes da doença não tinha a menor percepção sobre seu próprio corpo ou sobre o que estava a sua volta.

             Destaca que hoje com a doença aprendeu a "dar um tempo pro tempo". Anda pelas ruas sem pressa para ouvir o canto dos pássaros, repara na arquitetura de prédios e estátuas nas praças por onde vai. Aprendeu a contemplar a beleza dos dias chuvosos, nublados e ensolarados. 

             Eis a magia e a poesia de viver com intensidade cada momento, aguçar nossas percepções e emoções para aproveitar o presente de existir, que recebemos diariamente ao despertar cada manhã.

             Recordo-me da canção de Cazuza: "O tempo não pára", penso na chuva, na conversa ...

            Como nos ensinou mais esta história real, dê um tempo para o tempo, aprecie as paisagens, repare nas pessoas, deixe rolar solto o tempo de chorar e de sorrir para crescer com cada experiência, respeite o ritmo do coração, ouça seus sinais e sobretudo, permita-se impregnar-se do tempo de aprender a viver, com tudo que se tem direito, com os erros e acertos que nos fazem tão humanos.

 

            

  O tempo é o hoje, o agora. Nele, somos moldura e arte.

 

 

 

 

Montefeltro - il Tempo di Far la Fantasia



Escrito por sara às 10h59
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