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Celebração

Sorriso       CELEBRAR a vida é uma sabedoria que poucos notam na correria do cotidiano. Não há tempo para nada.

           CELEBRAR não deveria ser restrito somente à festas de final de ano, datas especiais ou grandes acontecimentos.

           No meu trabalho junto a pacientes da onco-hematologia e nas visitas a hospitais, vejo o verdadeiro significado de comemorar. 

          Já parou para pensar que muitos pacientes em determinados momentos de graves cirurgias ou fase do tratamento, são submetidos à sérias restrições alimentares?

           E o que direi da água? No nosso dia a dia é algo que passa absolutamente desapercebido. Bebemos para matar a sede em um movimento automático, quase sem sentir. Nunca esqueço o quanto foi para mim prazeiroso ver um paciente beber água, após só molhar os lábios rachados e ressecados com algodão umedecido durante meses. Quanta alegria estampada nos nossos rostos em um momento eterno. Minha boca até salivou e a água para mim nunca foi tão saborosa. A partir daí, verdadeiro néctar dos deuses da mitologia. Quanta emoção.

          

           Tudo nesta vida é motivo de CELEBRAR.

           Um exame médico, uma alta, uma visita, um olhar, um gesto de carinho... Hummm e como é bom amar e ser amado. Como faz bem para nós e quem está a nosso redor valorizar cada encontro como se fosse o único e último.

           Estamos nesta vida para sermos felizes.

           Reuna as pessoas que ama e erga um brinde à vida. Diga o quanto as ama e são importantes para você.

          Renove as esperanças. Caminhar com quem ama ajuda a diminuir o peso e o cansaço da subida.

                 

Um NATAL e um ANO NOVO repleto de amor, alegrias e muita celebração.

TIN-TIN   

         PS.: No final da página, clique em [ ver mensagens anteriores ] para acessar as publicações mais antigas. A primeira postagem é de 30/11/2008. 

Agradeço de coração os acessos e os comentários Jóia



Escrito por sara às 16h24
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    Realizando sonhos

 

 

Ficando velho        A ABRALE, em parceria com a Make a Wish, realizará os desejos de crianças e adolescentes, de 3 a 17 anos, em tratamento de doenças onco-hematológicas.

           Para participar, basta entrar em contato conosco no 0800 773 9973 ou pelo abrale@abrale.org.br e fazer o seu cadastro!

 

           * Os pedidos serão realizados de acordo com os critérios e demandas da Make a Wish, que tem por missão realizar desejos de crianças ameaçadas por doenças graves.

 

               Para conhecer mais sobre a Make a Wish acesse: www.makeawishbrasil.com.br

 

  

               Para uma criança gravemente doente, ter um desejo realizado significa que nada é impossível. Significa recuperar a esperança e a força para continuar a lutar, esquecer tudo por um momento e ser, apenas, criança. (site da Make a Wish)

 



Escrito por sara às 11h09
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Singela homenagem

        José Alencar, vice-presidente da república, conquistou o país ao deixar como legado o exemplo de luta contra o câncer. Faz pensar na figura do herói, que antes de atravessar o campo de batalha para conquistar o castelo, se prepara com a armadura mais forte que possui, suas armas fiéis em punho e sua fé. É herói justamente por saber que pode morrer nesta guerra travada, mas mesmo assim, não desiste de lutar. 

            Sempre frisou que a "vida é luta" para todo mundo e que o sofrimento é "enriquecedor". 

            O que mais me chamou a atenção, em tantas idas e vindas ao hospital, após tantas cirurgias, tantas dores ... é sem dúvida o sorriso contagiante e o olhar doce deste ser iluminado.  

            José Alencar sempre enfatizou que a informação sobre a doença e o tratamento proporcionava tranquilidade, pois dá forças para lutar. Coerente com esse pensamento, sempre se preocupou em informar ao público a cada nova tentativa dos médicos para amenizar os sintomas na tentativa de cura.  

            O repórter em uma entrevista transmitida em uma dada emissora televisiva, pergunta se o tratamento trouxe algum tipo de reflexão. José Alencar com serenidade e muito sorridente, responde que a doença ensinou a ser humilde, especialmente depois da colostomia. Salienta que a humildade se desenvolve naturalmente no sofrimento. E que, sua realidade teve que ser adaptada por depender de cuidados de outras pessoas para executar tarefas básicas do cotidiano.             

            Nesta mesma entrevista, José Alencar conta que quando era menino, tinha uma professora que repetia a seguinte oração: "Livrai-nos da morte repentina". O repórter intrigado solicita explicações. José Alencar responde que a morte consciente é melhor do que a repentina, pois nos dá a oportunidade de refletir. 

            José Alencar verbaliza na entrevista sentir-se preparado para a morte como nunca esteve, pois tornou-se uma pessoa melhor. Mas que isso não significa que havia desistido de lutar, apesar do cansaço físico. Ressalta que vive dia após dia de forma plena, até porque nem o melhor médico do mundo é capaz de prever o dia da morte de seu paciente. Isso cabe a Deus, exclusivamente.

            José Alencar foi generoso ao nos brindar com essas reflexões tão significativas. Em suas frases de efeito, destaco: "Não tenho medo da morte, mas da desonra".

           Ainda na entrevista, o repórter questiona o que ele faria primeiro se caso recebesse a notícia de cura. Com grande sabedoria, responde: "Abraçaria minha esposa, Mariza e diria: Muito obrigado por ter cuidado tão bem de mim".

           Palavras como essas de intenso sentimento são abraços fraternos, aquecem a alma, são acolhedores, aconchegantes e revigorantes.

           Muito Obrigada à você, José Alencar, por ter nos ensinado o inestimável VALOR dos momentos e o precioso VALOR das pessoas.



Escrito por sara às 21h25
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Jóia        Cuidar da criança interior faz bem para o corpo e para a alma - é sinal de SAÚDE
           Brincar, amar e sorrir é o melhor remédio em qualquer idade. É aprendizado constante. Faz toda a diferença na vida e no viver.

            PARABÉNS pelo trabalho e pela iniciativa da BRINQUEDOTECA BRINQUEDO & CIA.

            Conheço e Recomendo.

Acesse o site: http://bbrinquedoecia.blogspot.com/

 



Escrito por sara às 10h48
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Um brinde à ESPERANÇA.

Feliz 2011 !!!



Escrito por sara às 11h24
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HISTÓRIAS

 

 

        Na sala de espera do ambulatório, sentei ao lado de uma senhora que há muito tempo não encontrava. Ela aguardava o esposo em mais uma sessão de quimioterapia para o tratamento de uma leucemia. 

            Seu olhar era meigo, sorriso cativante de criança e voz suave. Suas mãos eram agéis e firmes. Com extrema agilidade entrelaçava contas brancas e rosas em uma linha expessa enquanto conversávamos. 

            Me contou que o marido não gosta de vir ao hospital sozinho, pois sente medo e dor. Mas quando ela está junto, as horas passam rápido, ele não sente tanto os efeitos colaterais da medicação e não sente tanto as picadas. São casados há mais de trinta anos e tem três filhos já criados, na qual se orgulham muito. 

            Salienta que estão juntos não só por uma obrigação, pelo dever do casamento, mas por um querer estar junto, cuidar um do outro. Comento que é fácil estar junto na hora da festa, mas é preciso coragem e amor para estar junto nos momentos difíceis. 

            A bela senhora, com sua sabedoria de oriental, destaca: "É preciso ter paciência. Essas pérolas sozinhas são somente pérolas soltas. Mas juntas, formam uma imagem. É sua, de presente". 

            

            Fiquei muito emocionada com a fala e a doçura do gesto. Que presente lindo e significativo carregado de representações e afeto compartilhado. Ganhei mais que uma linda flor, mas a riqueza de olhares, sorrisos e mais uma lição inesquecível de vida. Já nos ensinou Sigmund Freud, o pai da psicanálise, que "precisamos amar para não adoecer".

             Como é fácil fazer alguém feliz. Como é gostoso multiplicar e espalhar o amor aos quatro cantos do mundo. Como é rico aproveitar momentos como este e se beneficiar com toda esta ternura. Está em nossas mãos. 

             

            

  AME AGORA, NÃO ESPERE O AMANHÃ. 

 "Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada" (Sigmund Freud)



Escrito por sara às 12h11
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DIVÃ-MÓVEL: AO ENCONTRO DO CÂNCER

Sara Costa Andreozzi

(Trechos selecionados do artigo apresentado no VI Encontro da Teoria dos Campos realizado no dia 08/08/10 na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo).

 

 

"Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar". (Clarice Lispector)

 

   

 

            Em São Paulo represento à ABRALE (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia) na qual visito hospitais e casas de apoio. O departamento é nomeado por Abrale-móvel, o que me faz pensar na ideia de Divã-móvel e no conceito de clínica extensa.

           Acredito que quando se lida com pessoas, principalmente durante o tratamento de doenças onco-hematológicas, a escuta e a fala são essencialmente valiosas pela história de vida de cada um. Neste momento, fala a analista que atua onde sua presença se faz necessária, seja na sala de espera de um ambulatório, na brinquedoteca, numa sala de quimioterapia e até mesmo no blog (www.sarapsi.zip.net) especialmente elaborado para promover um espaço de reflexão aos pacientes, familiares e profissionais de saúde.

            O psicanalista brasileiro Fabio Herrmann, de modo poético e sensível nos ensina o quanto é rico o analista se fazer presente não somente no consultório, atuação esta nomeada por clínica extensa, e como resposta há o ganho de possibilidades outras, sendo um dos requisitos, ouvir o paciente com o coração.

            A Teoria dos Campos criada por Fabio Herrmann propõe reflexões sobre o inconsciente pela utilização do método interpretativo de investigação e cura das manifestações psíquicas. Assim, é possível pensar novas possibilidades de atuação do psicanalista no consultório ou fora dele, como por exemplo no hospital, na cultura, nas artes etc., recuperar o que foi esquecido pelo tempo. (Barone, 2005). 

            Fabio Herrmann em seu texto introdutório sobre a clínica extensa, resgata a ideia proveniente da criação da psicanálise ao relembrar que Freud voltou seu olhar clínico e seu interesse para o mundo. Esta é a definição de clínica extensa. (Barone, 2005). 

            Em toda e qualquer dimensão que a psicanálise esteja, um campo pode romper-se abrindo um leque de inúmeras possibilidades de existir, eis a função terapêutica da clínica extensa. (Barone, 2005).

           A escuta do analista e o “diálogo desencontrado, equivocado, em que, na aparência, os temas não se cruzam”, é o espaço para o surgimento de sentidos outros, novos, promovidos pela interpretação. (Barone, 2005 p. 35). 

           O objetivo do encontro terapêutico e papel do analista é trazer à baila conteúdos inconscientes anteriormente desconhecidos pelo analisando, eventos estes originados de experiências passadas que exercem grande influência nas relações interpessoais atuais. (Aldolfi, 1996). Isso se dá pela aplicação do método psicanalítico, a cada interpretação ou toques interpretativos. 

            Toda dor é real para quem sente. Não existe separação entre corpo e alma para o inconsciente. 

           Creio que neste jogo transferencial, a clínica psicanalítica se faz presente pela fala e as associações livres carregadas de representações que, indiscutivelmente nos insere num mundo de possibilidades altamente significativas, tanto para o paciente quanto para o analista. 

          Fabio Herrmamm nos ensina que a clínica extensa tem uma função terapêutica marcada pela transferência maciça, base das relações. 

          Sem dúvida alguma, o contato humano em todas as suas dimensões, repletos de momentos ricos de aprendizado e afeto compartilhado, faz a diferença entre o viver e o morrer.

         Como observa Frayse, o analista deve permitir aflorar a poética desconhecida de cada paciente, o que torna o trabalho artístico e criativo pois “cada paciente é uma singularidade a ser acolhida” e cada momento é único. (Monzani & Monzani, 2008 p.291). 

         É da habilidade e criatividade do analista propiciar o surgimento do conteúdo analítico de cada sessão e utilizar essa intensidade de forças como motor de uma análise ou função terapêutica em benefício do paciente. Aprendemos muito nestas trocas e com cada vivência. Nesse sentido, mesmo com vasta experiência clínica, por tudo que nos é mobilizado no encontro terapêutico, somos eternos “principiantes”.

ADOLFI, M., A linguagem do encontro terapêutico. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. (Tradução de Rosana Severino Do Leone).           

HERRMANN, F. Clínica extensa. In: Barone, L. (org.) A psicanálise e a clínica extensa – III Encontro Psicanalítico da Teoria dos Campos por escrito. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005.

MONZANI, J. & MONZANI, L. R. (orgs). Olhar: Fabio Herrmann – Uma vigem Psicanalítica. São Paulo: Pedro e João Editores / CECH- UFSCar, 2008.

 

 

   

 

Na correria Mais informações sobre a Teoria dos Campos, acesse o site http://www.revistavortice.com.br/

 



Escrito por sara às 11h15
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... o tempo ideal é aquele suficientemente grande para deixarmos o nosso recado! (Revista da Abrale Edição Março/Abril/Maio)

 

Participe e deixe seu recado registrado em imagens de AMOR.



Escrito por sara às 13h58
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 HISTÓRIAS

 

 

 

        Além de hospitais, meu trabalho me presenteia com a visita em casas de apoio. É possível notar em cada gesto dos funcionários e moradores o esforço conjunto para que seja um lar provisório, na qual vínculos de amizade são criados numa cumpricidade sem igual. 

            Os pacientes aguardam o transplante de medula óssea e o familiar, geralmente o doador, compartilha atividades artesanais e confraternizações.

            Tenho a feliz oportunidade de viajar pelo país sem sair de São Paulo, ao ouvir as histórias contadas em diferentes sotaques regionais. 

            Como viajante, carrego na bagagem dos sentimentos as sensações e reflexões inspiradas pelos ensinamentos e trocas singulares que certamente dão sentido ao viver. 

            Na confortável sala de estar da casa, foi confiada a mim a difícil trajetória narrada em detalhes de dois pacientes, que tiveram que firmar uma verdadeira batalha desde o diagnóstico da doença até o início do tratamento. São moradores de estados diferentes, porém encontraram semelhanças em suas vivências pessoais.

             Destacaram que nunca ouviram falar no que era mieloma múltiplo e linfoma, a primeira coisa que pensaram, fruto do desespero inicial foi a finitude. Com a informação e suporte médico foram encaminhados para o tratamento em São Paulo.

             Com muito bom humor, um deles destaca que a biópsia é bastante dolorosa, mas que a mão do profissional que executa o exame faz toda a diferença. Conta que na primeira vez, o "homem de jaleco branco" nem olhou para ele e disse com agressividade: "deita aí". Ressalta que nunca sentiu tanta dor na vida. Meses após a quimioterapia foi necessário repetir o exame. E que somente a lembrança desagradável dessa expeiência foi extremamente forte e aterrorizante ao ponto de desejar desistir de todo o tratamento. Porém, conseguiu reunir forças para lutar pela vida e enfrentar esse terrível desafio.  

             O outro paciente ao ser também contemplado com esta rica vivência, contribuiu com a seguinte história: "Vocês conhecem o que aconteceu com o médico particular do Vinícius de Moraes?". Respondemos que não e prontamente verbaliza: "Não sei se é verdade, mas li uma vez numa revista que o Vinícius de Moraes estava fazendo uma festa em casa, rodeado de amigos, cigarros, mulheres e muita bebida. Aí ele ligou para o médico e disse: "Vem logo pra cá que eu estou passando mal, estou morrendo". O médico então saiu a mil por hora, até estragou o portão da garagem de casa, quando chegou viu aquela festa toda e perguntou assustado para o paciente o que estava acontecendo. Vinícius respondeu que estava tão, mas tão feliz que ficou com medo que a alegria acabasse, assim, se passesse mal, já garantiria socorro médico de imediato. Então, disse a famosa frase: "VIVER É PERIGOSO". 

            Questionei se concordavam com a frase em questão. Após muitas risadas, chegamos juntos à conclusão que é mais perigoso deixar de viver e experenciar momentos ricos de aprendizado e afeto compartilhado. E que sem dúvida alguma, o contato humano em todas as dimensões, faz a diferença entre o viver e o morrer.

             

            Todo contato humano nos posiciona no campo da transferência, na qual sentimentos, pensamentos e sensações são destinados à outros. É do humano para o humano. É como sentir a batida da bateria de uma escola de samba como se estivesse vindo do seu coração, de seus pulmões. É forte e intenso como o riso e o choro no cinema.

            NUNCA É TARDE PARA (RE)COMEÇAR.

 

 "Toda demanda é uma demanda de amor" (Jacques Lacan)



Escrito por sara às 13h48
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HISTÓRIAS

 

 

        Na sala de espera do hospital, sentou-se a meu lado uma velha conhecida, jovem paciente que perguntou: "Oi, tudo bem? Como anda o trabalho?" Respondi que bem, uma conquista diária como tudo na vida.

            Falamos sobre o barulho e a intensidade da chuva que serpenteava nos vidros das janelas.

            Foi a minha vez de perguntar como ela estava. Respondeu que estava bem. Comenta que veio ao hospital para tomar mais um "sanguinho" para variar.

            Com uma expressão de angústa nos olhos, ajeitou-se na cadeira para melhor se acomodar. Indaguei: "O que houve?" Tão intensa quanto a chuva, salienta que aprendeu a conviver com a doença, mesmo sem aceitá-la.

            Conta que a prima recebeu um convite para passear no parque Ibirapuera com os filhos pequenos, mas  recusou, pois queria limpar a casa. Ao ouvir isso, verbaliza que não conseguiu resistir e interferiu: "Não faça isso! Eu nunca tive tempo para nada, nunca tive tempo para mim e agora com a doença tenho todo o tempo do mundo e estou impossibilitada por tempo indeterminado de sair por causa da baixa imunidade. Não faça isso com você, largue tudo aí e vá passear com as crianças".

             A paciente trata de aplasia medular e ressaltou que aprendeu a ter tempo para ela, sente quando o organismo necessita receber plaquetas ou transfusão de sangue. Sente-se sábia, pois antes da doença não tinha a menor percepção sobre seu próprio corpo ou sobre o que estava a sua volta.

             Destaca que hoje com a doença aprendeu a "dar um tempo pro tempo". Anda pelas ruas sem pressa para ouvir o canto dos pássaros, repara na arquitetura de prédios e estátuas nas praças por onde vai. Aprendeu a contemplar a beleza dos dias chuvosos, nublados e ensolarados. 

             Eis a magia e a poesia de viver com intensidade cada momento, aguçar nossas percepções e emoções para aproveitar o presente de existir, que recebemos diariamente ao despertar cada manhã.

             Recordo-me da canção de Cazuza: "O tempo não pára", penso na chuva, na conversa ...

            Como nos ensinou mais esta história real, dê um tempo para o tempo, aprecie as paisagens, repare nas pessoas, deixe rolar solto o tempo de chorar e de sorrir para crescer com cada experiência, respeite o ritmo do coração, ouça seus sinais e sobretudo, permita-se impregnar-se do tempo de aprender a viver, com tudo que se tem direito, com os erros e acertos que nos fazem tão humanos.

 

            

  O tempo é o hoje, o agora. Nele, somos moldura e arte.

 

 

 

 

Montefeltro - il Tempo di Far la Fantasia



Escrito por sara às 10h59
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Escrito por sara às 11h11
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HISTÓRIAS

 

 

         Quando me aproximei da brinquedoteca, prontamente liberei a passagem para uma mãe que cuidadosamente auxiliava a locomoção de seu filho, segurando o suporte de ferro e prendendo a medicação quimioterápica no topo como um grande cabide ("capitão gancho"). Uma cena extremamente rotineira de hospital infantil, mas que olhando com os "olhos do coração" mudou o meu dia e se tornou inesquecível.

            A criança, um garotinho de três anos de idade chamou minha atenção não somente pelo gracioso macacão que usava, mas por ter subido com seus pés pequeninos na base do suporte de ferro da quimioterapia e segurando firme sua haste. A mãe empurrava o suporte delicadamente com a mão direita enquanto com a mão esquerda segurava os fios da medicação. À medida que o "carrinho" deslizava pelo corredor e ganhava velocidade, eis que o garotinho abriu  os braços como se estivesse abraçando o mundo (e de fato estava), fechou os olhos e disse alto e em bom som "estou voando". Me emocionei profundamente com esta cena mágica na qual fui presenteada. Essa criança me levou automaticamente para a fantasia de "Peter Pan".

            Lembrando da criança que existe dentro de nós de maneira inconsciente e na maioria das vezes negligenciada, embarquei neste sonho e deduzi que nossa viagem à "Terra do Nunca" teria o seguinte itinerário: 

             1. NUNCA  deixe de acreditar na sua força interior e na sua infinita capacidade de criação.

            2. NUNCA desista de seus sonhos. Acredito que estamos neste mundo com o propósito de sermos felizes, alcançar a realização em todas as esferas possíveis e contribuir para o bem do próximo.

             3. NUNCA negligencie um minuto que seja da sua vida pois evoluímos com cada vivência, e até mesmo com a dor tiramos ensinamentos que nos colocam cara a cara com os mais diversos sentimentos, pensamentos ... mudanças. Em suma, não esqueça que a vida é feita de instantes (se olharmos atentamente nos deslumbramos como são mágicos, como perfumam e colorem nosso cotidiano).

            4. NUNCA esqueça que o amor é o melhor remédio para todas as pessoas e situações. É importante lembrar que não existe contra-indicação e por isso mesmo não devemos esquecer que também precisamos dele, nos perdoando por exemplo.

            5. NUNCA deixe de sorrir pois faz bem para a mente, o corpo e o espírito.

          

            Se esse garotinho com toda a sua sabedoria, enfrenta uma doença de tratamento longo e muitas vezes doloroso como a leucemia, consegue sonhar, vamos aprender com ele e veremos como nossos problemas perdem a força e nossa vida ganha vida. 

            Vale a pena sonhar acordado, acreditar. 

            Nós sempre vamos na direção dos passos que damos. Faça planos e os realize.

            Boa viagem.            

 

 

"Se ajudar uma só pessoa a ter esperança, não terei vivido em vão" (autor desconhecido)



Escrito por sara às 10h29
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HISTÓRIAS

 

 

         Logo cedo quando olhei pela janela do meu quarto vi que o dia estava cinza e chovia muito. O frio intenso marcava a despedida do inverno e anunciava a chegada da estação das flores.             

            No hospital as pessoas falavam mais baixo do que de costume. Será que era para não competir com o barulho da chuva? Ou era esse mesmo som de águas que acalmava? Só sei que a chuva e o barulho não foram desconsiderados e se faziam presentes em algum comentário ou mesmo no silêncio de uma contemplação, nesses ricos momentos olhamos para a chuva lá fora mas a nossa visão é de dentro, do que se passa em nossos pensamentos e sentimentos mais profundos de nossa alma. Nem só de sol vive o homem. O cinza também tem sua força reveladora e instigante.

            É chegada a hora do almoço. Os arredores do hospital fornecem inúmeras opções de lanchonetes e restaurantes, porém, como chovia muito, optei pela comida por quilo do outro lado da rua. Passaram-se dez minutos quando vi  em maior número do que o habitual, muitos profissionais de jaleco branco no mesmo local. Continuei minha refeição. Vários pacientes, inclusive alguns que havia conversado entraram também. Aí, realmente pareceu que ainda estávamos no hospital. 

            Uma paciente se aproximou da minha mesa e acanhada pediu para sentar-se comigo. Permissão prontamente atendida. Entre uma garfada e outra ela compartilhou comigo suas expectativas por participar de um protocolo de estudos de um novo medicamento. Contou sobre os efeitos colaterais da quimioterapia e de sua luta para conseguir um doador compatível de medula óssea. Conversamos que de fato, a falta de informação cria um espaço enorme que é fatalmente preenchido por medos, preconceitos e até alienação. A paciente disse que não tinha nenhuma informação sobre o linfoma e tão pouco sobre o transplante e ressalta: "Só quando sentimos na pele percebemos a extensão do quanto isso gera sofrimento" . Digo que ainda existem pessoas que acreditam que o tranplante de medula óssea é para "tirar algum pedaço do corpo", mas o procedimento é via sangue.

             O candidato à doação procura um hemocentro, por exemplo a Santa Casa de São Paulo e informa que deseja se cadastrar. É coletada uma pequena amostra de sangue que fica armazenada  para que seja verificada a compatibilidade com um paciente que aguarda na fila de espera. Havendo a compatibilidade o doador é acionado pelo hemocentro para realizar a doação. É importante salientar que a medula óssea ("fábrica" do sangue do nosso corpo) se regenera em pouquíssimo tempo depois da doação.  

            Ainda entre uma garfada e outra, lembrei que minha família era da época que não se podia pronunciar a palavra "câncer" em casa e quando era inevitável, sussurravam: "a coisa feia", "aquilo lá" e por aí vai. A paciente comentou que também passou por isso e que no caso dela teve uma perda significativa, pois o marido não queria mais "namorá-la" ou "encostar perto" com medo de "pegar" câncer. O casamento acabou e ela vive com os três filhos desta relação. O sorriso no rosto e o brilho nos olhos são sempre presentes e levam esperança, são igualmente contagiantes. Com tanta marca e experiência sentida na "pele" como ela mesma diz, não se fechou para sua dor e encontrou no voluntariado em hospitais e na participação em campanhas informativas para mobilizar as pessoas a serem doadores de medula óssea, o combustível necessário para beneficiar a si e ao próximo. 

            Me lembro de um paciente que certa vez me disse que a informação é muito importante pois sem ela, um grão de arroz torna-se um grande obstáculo no caminho.  

            Pensando nisso, a ABRALE no dia 28 de setembro realizou uma campanha em prol de melhores tratamentos e acesso à medicamentos de alto custo, que teve como carro chefe o slogan: "LINFOMA É CÂNCER. INFORMAÇÃO É VIDA".  

            A manifestação foi realizada no vão livre do Masp. Grande parte da equipe se mobilizou para divulgar o abaixo assinado que teve como meta atingir cinco mil assinaturas para que a nossa presidente entregue para o ministro da saúde. 

                        

 

            Jóia MUITO OBRIGADA à todos que participaram direta ou indiretamente da campanha e que sem dúvida nos ajudaram nesta somatória de  forças em mais esta batalha a favor da VIDA.

   



Escrito por sara às 10h11
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HISTÓRIAS

 

 

         Os DEPOIMENTOS na página inicial do site da ABRALE representam ricos registros de histórias reais de pacientes, familiares e até profissionais da saúde no enfrentamento das doenças onco-hematológicas. É possível encontrar relatos de experiências intensas, com identificação e até mesmo com fotos. É sem dúvida um compartilhar que faz toda a diferença na qualidade de vida de cada um.

           

            Tive contato com mais uma dessas experiências intensas e valiosas.

            Assim que entrei no quarto, fui surpreendida pela imagem do paciente sentado em seu leito pintando um quadro. Na mesinha de canto, muitos potes de tinta e pincéis. Na parede, quadros de diferentes temas, cores e formas.  Por alguns segundos a dúvida tomou conta de mim e em silêncio me questionei: "Será que estou em um ateliê?".

            Cumprimentei o artista. Já nos conheciamos desde o início do diagnóstico e fases do tratamento da leucemia. Os campos aí já se misturaram: paciente artista, artista paciente ... já não era tão relevante.

            O trabalho artístico impressiona pela sensibilidade, perfeição dos detalhes, diversidade de cores e formas. 

            O mais tocante e surpreendente foi a revelação de que pintar era uma vontade cultivada há muito tempo e somente há apenas quinze dias atrás tornou-se realidade. Estava então, diante de mim, uma manifestação de coragem suficientemente grande para colocar em prática um sonho, uma realização. 

            Na tela em branco são projetados pensamentos, sentimentos, sonhos que temos quando acordados, os que temos dormindo, também as frustrações, medos da vida e da morte. Cada pessoa entra em contato com esses questionamentos subjetivos de maneiras diferentes. Segundo Fiódor Dostoiévski: "A verdadeira felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz". Esse contato consigo mesmo pode ser pela arte, pela música, pela fala em análise pessoal ... sem dúvida uma importante função terapêutica. 

            Pouco importa se o quarto do hospital virou casa, se o pintor não está no ateliê ou se o analista não está no seu consultório. O que importa é que vi cor, corpo, alma e principalmente vida.

           

            No caso das pinturas, as imagens falam por si. O autor, gentilmente autorizou o registro de imagens por foto para a divulgação neste blog, bem como seu nome.

            Jóia OBRIGADA Helmuth Ribeiro pela autorização dessa divulgação e OBRIGADA pela sua arte, pois torna a nossa rotina mais leve e igualmente bela.            

                      

 

Muito feliz Contato do artista: muth.hm@uol.com.br ou muth.hm@mac.com



Escrito por sara às 11h16
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             Na edição 9 - Ano 2 - Junho/Julho/Agosto de 2009 - REVISTA ABRALE, tive a satisfação de contribuir para a elaboração da reportagem: TRATAMENTO - Escreva seu blog: a palavra cura. (trechos selecionados)

                  Meu caro diário ...

                 "Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida." Clarice Lispector estava com câncer quando registrou essa frase no livro Um Sopro de Vida (Pulsações), uma de suas últimas obras. De fato, ela nunca deixou de afirmar em entrevistas que escrever era aquilo que a mantinha viva ... Mas mesmo aqueles que não tem como hábito transferir seus sentimentos para a ponta do lápis ou para tela do computador podem descobrir quão saudável pode ser essa forma de expressão ... "Freud, o pai da psicanálise, descobriu a palavra cura", explica a psicanalista Regina Fabbrini, professora da PUC-SP. "É ela que nos faz humanos, pois permite uma representação do mundo, da natureza ... 

           Esse contato íntimo acaba sendo também uma forma de desabafo, o que para muitas pessoas pode ser um processo difícil. "Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto - e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar", diz Clarice Lispector em Um Sopro de Vida (Pulsações). "Escrever é uma pedra lançada no poço fundo".

           Alguns gostam de divulgar informações sobre a doença, outros falam de suas rotinas, uns redigem textos objetivos e há aqueles mais subjetivos. "O importante é ser algo despretensioso, escrever tudo o que vem à mente - e deixar fluir", aconselha Sara Costa Andreozzi, psicóloga do ABRALE Móvel ... O autor dos textos também deve pensar bem antes de publicá-los, para não se fragilizar ainda mais ...

             Em uma sessão de psicanálise, o especialista não usa propositadamente o recurso da escrita, assim como essa prática não substitui o acompanhamento de um psicoterapeuta. No entretanto, trata-se de um caminho de autoconhecimento acessível a qualquer pessoa, esteja ela atravessando ou não uma doença ou problema familiar ...  

           Os blogs são meios velozes de compartilhar informações e experiências. "Para pacientes em tratamento, eles  criam um ponto de identificação que pode funcionar muito bem ... "Também é uma forma de sensibilizar a opinião pública sobre o tratamento das doenças onco-hematológicas", explica a psicóloga Sara Costa Andreozzi, uma das primeiras blogueiras do projeto, convidada pela ABRALE .

                Por fazer parte da equipe do ABRALE Móvel, iniciativa que visita hospitais para apresentar os serviços da associação, Sara tem várias histórias para contar. "São experiências intensas. É um desafio falar delas", conta.

                Qualquer pessoa interessada em compartilhar histórias ou informações pode hospedar seus textos. Entre em blogabrale.zip.net e, no menu à esquerda, clique em "Crie Seu Blog", preencha a ficha e escolha uma categoria. Aí é só começar a postar.



Escrito por sara às 12h39
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